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Gritos mudos no silêncio das palavras!

Aqui toda a palavra grita em silêncio, sozinha na imensidão de todas as outras deixa-se ir... Adjetiva-me então

Peões na terra de ninguém

Setembro 21, 2022

Carlos Palmito

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Algemas que aprisionam almas, estrelas sem brilho nos alicerces da criação, frias na universalidade gélida do cosmos.

Flores de lótus afogadas no pântano da civilização, memórias esquecidas e mágoas sem possibilidade de cicatrização, a agonia do ser que há muito deixou de estar acordado.

Olvidaram os Deuses do Homem; este seguiu em frente, na sua solitude, asfixiado pelos aromas de lavanda, as cores do barro e os olhos colados ao chão… amargurado pelo ensurdecedor som do silêncio absoluto.

Ontem choveu, era vermelha a água, sangue de batalhas anciãs, dancei sob ele, até os pulmões colapsarem, os músculos cederem e os olhos se cerrarem, mordi o lábio nesse instante e tombei sobre a minha criação.

As areias do tempo continuam o seu percurso na ampulheta da vida, ainda aqui estou!

E se esta for a derradeira realidade, a loucura insana na minha cabeça, um jogo de tabuleiro, onde somos meras peças no teatro da vida, movidas por uma coruja e uma raposa?

 

Texto criado para Os desafios da Abelha, nos quais de vez em quando vou participando, este é o tema 34. 
Os Desafios da Abelha | 52 semanas de 2022 | tema 34, "e se..."

 

P.S. Imagem encontrada na net

 

Benjamim

Julho 27, 2022

Carlos Palmito

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Hoje pensei em sair, ir para fora de mim, contemplar o mundo com estes olhos que de avelã nada têm.

Peguei-te, toquei-te, cheirei-te e senti o teu aroma invadir todos os poros da minha pele, a derme que já transpirava apenas por um vislumbre teu.

Pertenci-te, fui teu, ali sentado num sofá de cabedal falsificado num mundo imaginário, sem sol nem estrelas, nem dores ou alegrias… és o meu mundo, tornaste-te ele, ali, naquele ápice especial, sem necessidade de sinalética.

Decidi ficar, ser um benjamim no teu jardim, beijar-te as pétalas como quem vira a página de um livro… e tanto que sei a necessidade de virar as minhas.

As palavras sei-as de cor, tal como todos os tons do teu cabelo, o perfume é mágico e inalo-te, és livro e uma história, foste palavras sentidas, e agora, aqui sentado a ler o passado, sinto alegria, sei que foram momentos e eles constroem presentes.

Como presente, concedo-te o futuro… viverás perene na minha anamnésia, libertemo-nos da gaiola que nos prende, seremos pétalas que voam ao vento, quem sabe, benjamins presos numa gaiola maior… libertos por um livro…

Abre as asas, voa!

 

Texto criado para o desafio de Ana de Deus em "conta uma história desta ilustração". 

É um prazer voltar a escrever para os teus Desafios, Ana

Monstro no Jardim

Julho 18, 2022

Carlos Palmito

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Escolhe o ritmo, escolhe o ritmo e eu escolho a arma.
Escolhe o som, o baque, a queda, eu escolho a dor, a dor… o amor!
Escolhe a cor, o tom claro, o tom escuro, os espetros das tonalidades cromáticas.
Não importa, não interessa, eu levo o branco, o negro e os universos em colisão, os que se transmutam uns nos outros, não é assim que sou?
Não é isso que me torna em mim?
Um monstro perdido num jardim?
Éden talvez? Ou Minos.
Não interessa, deixa a parede incólume, um dia marro lá com os meus próprios cornos.
 
 
Imagem encontrada na NET

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