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Gritos mudos no silêncio das palavras!

Aqui toda a palavra grita em silêncio, sozinha na imensidão de todas as outras deixa-se ir... Adjetiva-me então

CRIATURAS NOTÍVAGA(S) Nº 22 — 05/10/2022

Outubro 05, 2022

Carlos Palmito

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Boa tarde!

O Outono chegou, as folhas das árvores tombam nos férteis solos da memória, as palavras ilustram páginas de livros quer um dia estiveram em branco, o vazio é preenchido de tonalidades amarelas e vermelhas.

Eu continuo aqui, sentado num sofá azul a ver o meu pequeno pedaço de mundo erguer-se do zero para a globalidade.

É Outono, está quente, temos poeiras vindas de África, uma constante nos dias que passam.

E eu venho dar-vos a continuação das Criatura(s) Notívagas.

Desta vez o Título é: “Aos Olhos de Ódin”, que é a edição número 22.

Capítulo a Capítulo, o livro está a ganhar vida. Segue abaixo o link para acederem ao conto, ou capítulo.

CRIATURAS NOTÍVAGA(S) Nº 22 — Aos olhos de Ódin

Quem não tiver tempo para ler, ou que de alguma forma prefira áudio, ou queira ambos, a leitura e o áudio, segue também já ali em baixo o link para a versão narrada por mim, no Spotify.

Podcast Criaturas Notívagas – nº 22

Mais um conto de Carlos Palmito. Mariana foi raptada pelo gigante e Ódin vai ao seu encontro. Ele está só e um submundo de trevas e criaturas horrendas poderão impedi-lo de alcançar o seu objetivo. A velha poderá ajudá-lo? Qual o fim de Mariana? Leiam e comentem. Se não tiver tempo de ler, escute no Spotify.

 

Um excerto do texto:

É estranho o modo e as coisas com que nos preocupamos, a aceitação imposta, os impostores não aceitáveis, somos descendentes de barro, colocados todos no mesmo molde, moldamo-nos com o tempo, e no final todos temem o pai do Juízo eterno a conduzir ovelhas tresmalhadas num rebanho celestial.

 

Resta-me então despedir por hoje, começar a planear a continuação e… sonhar!

Deixem o vosso comentário aqui, ou no blog da Valleti se assim o entenderem. Agradecia imensamente ter o vosso feedback .

A todos o meu abraço.

 

P.S. Foto encontrada na net

O Ultimo Beijo

Abril 19, 2022

Carlos Palmito

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Ponta da cama, cinco e meia da manhã.

A cidade está a acordar, o deus ofensor proveniente da escuridão dissipa-se pela alvura que teima em penetrar no teu casulo.

Bem perto, talvez do outro lado das muralhas ouves os primeiros carros, as vozes e passos, escutas a vida a desabrochar, enquanto contemplas o jogo de sombras no teto, espectros de uma vida que não mais usufruis, uma ilusão onde te sentes seguro.

Fechas os olhos e inspiras profundamente o ar húmido com os últimos vestígios da noite, desprovido de caricias, de ternuras, de amor. Ainda tens tempo.

Ontem foi um bom dia, sabes? Ontem será sempre um bom dia.

Existem searas nos infindos campos dos Deuses, trigais prontos a serem colhidos, chacinados por uma foice assassina… e existe ela.

Sentes o odor a perfume, flores de um jardim que não mais subsiste, uma memória residual, um hábito, era frequente este bálsamo, a constância da sua pele…

Tens uma musica em repetição na cabeça, dormiste com ela… mas sem ela… “ I looked into your eyes and, saw a world i wish i was in…”

Ontem foi um bom dia, sabes? Ontem será sempre um bom dia.

Levas a mão à bochecha, nela está o ultimo toque de uns lábios, a recordação impressa na pele do que foi o dantes, uma tatuagem na própria alma, que arde e te consome… o ultimo beijo é sempre o mais cruel.

Seis e meia da manhã, levantas-te, ontem foi um bom dia, desnudo caminhas em direção ao despertar, abres a torneira sentido a água irromper, gélida… lavas o rosto, lavas o beijo, o ultimo afeto, ontem será sempre um bom dia.

Contemplas os restos mortais de quem foste, nesse espelho falacioso que são os teus olhos, mas existirá sempre um amanhã.

Vestes o melhor dos teus fatos, passas os dedos na barba, abres a porta e sais… existe uma meta lá à frente, um trajeto a ser percorrido.

Na calçada, fechas os olhos por uma ultima vez, o beijo ainda lá está, na lembrança, despedes-te dele… desta feita, finalmente com sucesso!

 

Imagem encontrada na net

Espectro

Março 09, 2022

Carlos Palmito

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Território selvagem, sete e meia da manhã.

O sol despertou há pouco, e com ele acordo eu.

Os pássaros chilreiam nas árvores, o orvalho brilha nas pétalas coloridas das flores intemporais, percorrendo todo o espetro cromático do arco-íris; cores multiplicadas pelo infinito, absorvidas pelo olhar; pigmentações que me fazem esquecer o monocromático noturno, mas jamais a centelha nos teus olhos, a chama que te alumia a alma.  

Esta noite dormi sobre relva, tendo como lençol o próprio universo, deixei-me seduzir por deusas há muito extintas, forniquei na entrada do paraíso e caí no inferno.

Inspiro os frescos odores matutinos, uma golfada impregnada das milhentas fragrâncias neste jardim, desde rosas a orquídeas, passando pela transpiração da minha pele, a resina dos pinheiros, e os resquícios do ato carnal com divindades findadas.

Toda a imensidão deste plano astral está embebido em magia, consigo quase sentir-lhe o paladar, algodão doce, pétalas de rosas, casca de limão… tanto faz, é uma multiplicidade tão desmedida que sinto o corpo entrar em torpor.

Levanto-me e começo a caminhar neste Éden que se apresenta no vislumbre da minha vivência, acelero o passo até correr, até ser ultrapassado pelo meu espirito, o lobo em mim, corro livre, mergulho no lago gelado que me acorda, sei que Érebo virá de novo, até lá sou o lobo diurno que se lava na cascata de um cosmo infindável…

Nu observo o meu rosto no espelho de água, onde contemplo um homem que se perdeu no mapa do mundo.

 

Foto encontrada na net 

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