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Gritos mudos no silêncio das palavras!

Aqui toda a palavra grita em silêncio, sozinha na imensidão de todas as outras deixa-se ir... Adjetiva-me então

Senhor do Tempo

Novembro 23, 2022

Carlos Palmito

copos_mesa_chao_parede3.jpg 

Hora, minuto, segundo, o limiar da loucura contado pelos ponteiros de um relógio de sol, os de uma ampulheta, ou até mesmo aquele que não está no meu pulso…

Pulsam as veias, corre o sangue na autoestrada corporal, estou cansado… sinto-me esgotado, mas não paro, não posso, deposito letras até à exaustão, plagio-me a mim próprio numa tentativa inútil de recriar momentos, sou o fumo que sai pela chaminé e se desvanece no horizonte, ontem era o fogo, hoje sou a cinza.

A meu lado está um cinzeiro cheio de sonhos e fantasias, algumas beatas de um vicio por matar, possivelmente um suicídio lento num ato inconsciente, involuntário, talvez seja apenas a repetição que mantém o cigarro aceso, quem sabe.

Abro mais uma garrafa de vinho (repetição), ao longe ouvem-se trovões, aqui perto tombam árvores, ali ao lado está um gato, lá mais atrás um fantasma, a cama encontra-se abandonada, desisti dela, vivo agora num sofá vazio.

Encho o copo de cristal com as lágrimas de Baco, dou um trago, o sabor é um misto de deceção e desilusão, frustração e desapontamento, com um leve aroma a segredos por desvendar.

Cravo os caninos no espírito do que fui, sou um vampiro que se alimenta de si mesmo, sendo que desta forma me consigo visualizar do outro lado do espelho, a realidade é cruel e a ficção inalcançável.

Fecho os olhos, é estranho como tenho essa tendência, cerrar as janelas da alma, inspirar o ar azedo da civilização, e deixar-me afogar na pré-demência neuronal.

Em mim existem um, dois, dez, mil, inúmeras personalidades, e, contudo, nunca me sinto completo, vejo o que não existe, existo no que não vejo, sou um pesadelo em locomoção, a colheita de um campo de ventos, a tempestade enraizada na árvore da vida.

Pelo canto do olho observo o ecrã da televisão, nela passam imagens da minha existência, um filme noir em repetição perpétua seguindo minuciosamente um guião inacabado.

Meu Deus!

Sou uma personagem de Hollywood.

 

 

Narração criada para os desafios da abelha, 52 semanas de 2022 | tema 47 (o que vai no meu pensamento)

 

Espero que gostem, se quiserem, deixem o vosso comentário.

 P.S. Imagem desenhada por mim. 

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