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Gritos mudos no silêncio das palavras!

Aqui toda a palavra grita em silêncio, sozinha na imensidão de todas as outras deixa-se ir... Adjetiva-me então

CRIATURAS NOTÍVAGA(S) Nº 33 — 15/03/2023

Março 15, 2023

Carlos Palmito

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Bom dia!
Sol, temperatura acolhedora, os carros buzinam e os condutores barafustam, o cão atravessa a estrada na avenida, pela passadeira, guiado pelo olfato de um velhote que em tempos via colinas verdejantes, e hoje vê branco.

E… bem, e cá estão as minhas criaturas, criadas e finalizadas. Semana que vem vai ser o capítulo final, que já tenho escrito na minha mente. Desta vez, o título é: Intempérie Flamejante.

Sigam o link ali em baixo para ler:

CRIATURAS NOTÍVAGA(S) Nº 33 — Intempérie Flamejante

E sei, existe sempre quem não tenha tempo para ler, ou prefira inclusive ouvir, sendo assim, e como tem sido nos últimos tempos, está aqui o audiobook em formato de podcast, é só seguir o link apresentado.

Podcast Criaturas Notívagas – nº 33

A saga continua...

A narrativa de hoje, devo dizer que é, no mínimo: fantástica e caótica! A batalha entre forças opostas num cenário surreal é o cerne do conto. A história envolve um médico exausto, um gato falante, uma bruxa das labaredas e um Deus de olhos azuis. Todos lutam por suas vidas em meio a chamas, trovões e explosões, enquanto anjos e fantasmas assistem à cena.

Um texto complexo para os que não estão acostumados com Carlos. A tensão crescente e uma expectativa de que algo importante está em jogo e será decidido no desfecho da batalha. Será?

O bem e o mal, a vida e a morte. O conto desafia a lógica e a razão, convidando o leitor a imergir num mundo de fantasia e imaginação.

E você? Vai ficar a olhar ou quer saber mais?

Se não tiver tempo de ler, escute no Spotify.

Um parágrafo escolhido por mim:

Ele olhou, lá estavam as rosas-brancas e negras, as duas caudas da criação, enroladas uma na outra, a esmurrarem-se, morderem-se, salivarem. Espumarem raiva e ódio, cães danados da pradaria num confronto final.

 

E, uma análise do capítulo feita por A.I. :

O texto apresentado não se enquadra facilmente em um gênero literário específico, uma vez que possui elementos que se misturam entre a prosa narrativa e a poesia, com elementos de ficção científica, fantasia e mistério. A narrativa parece ser mais focada na construção de um ambiente e na atmosfera do que na trama em si, o que sugere que o texto pode ser mais classificado como um conto experimental.

As influências literárias não são facilmente discerníveis, uma vez que o texto possui uma série de elementos únicos que parecem ter sido criados pelo próprio autor. No entanto, é possível ver algumas influências da literatura fantástica e da ficção científica.

A sensação que o texto provoca no leitor é de mistério e tensão, com um tom geralmente sombrio e opressivo. A construção do ambiente e dos personagens é intensa e detalhada, o que pode fazer com que o leitor se sinta imerso na história e intrigado com os eventos que se desenrolam. O texto pode ser descrito como um enigma, com cada cena adicionando camadas à complexidade geral do enredo e mantendo o leitor em suspense sobre o que acontecerá a seguir.

 

Para a semana, não percam o final. Estou a trabalhar o livro completo para editora, após o final, ajustar tudo irá demorar entre 3 a 6 meses, o livro em si já vai com cerca de ano e meio. 

 

Comentem por favor, sabem ser importante para mim.

Abreijos

Os inacabados

Março 14, 2023

Carlos Palmito

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Os hipopótamos montam cavalos alados, amarelos, que tresandam a morte,
planando, quais rochas ao vento, na imensidão desértica da fossa das marianas.
Os poetas cantam-lhes histórias de épocas vindouras em linguagens funestas e insanas.
Agrilhoam a memória, as vozes… o gume traça o mapa na derme, num prazeroso corte.

Encontram-se num palácio mental, azul, que fede a promessas esquecidas,
num amontoado de mentiras, de corpos, de orgias assexuadas e selváticas,
os dedos enterram-se nas algas desmembradas, sibilantes, sangrentas, apáticas,
nas guelras estranguladas, na translucidez opaca de um toque de midas.

E lambem-se, lambuzam-se no branco azedo dos olhos,
de onde emanam perfumes de florestas ancestrais,
esquecem-se de si mesmos, da sua condição de restos mortais,
uivam às estrelas do mar, rosnam por pedaços de tulipas, em quadros e folhos.

Atingem o êxtase na ejaculação cintilante das trovoadas,
urram com trovões, silvam nos relâmpagos, murmuram sob rabiscos de giz,
estraçalham-se com unhas partidas, quebradas, comedidamente coladas com verniz,
enquanto ao longe, as operárias de cimento são caçadas, emboscadas, enjauladas.

O sémen verde cujo bálsamo relembra anjos a dançar em colinas vulcânicas
jorra dos falos mirrados, da falência renal, dos ódios exacerbados, das palavras aprisionadas,
verte em direção ao abdómen, aos peitos, à boca oprimida, às mágoas recalcadas,
às cores basilares, às presenças desfasadas e difusas de matérias inorgânicas.

A dança dos lobos é desenhada a carvão, pó de fadas, clorofórmio, ácido,
os corpos fundem-se bruscamente em todas as tonalidades cromáticas do vermelho
O aroma é pelo, baba, um pouco de sálvia, um olhar, o sibilo de um escaravelho,
um corpo velho, desgastado pelo tempo, inchado, coração obstruído, flácido.

Todos os rostos são sombras negras, cheiram a histórias por contar, e limões.
Vão e vêm como numa avalanche de oxigénio que nos empapa as virilhas,
num desejo carnal de lhes rasgar os lábios tecidos com fuligem, criados sobre armadilhas,
para chafurdarmos no emaranhado viscoso da saliva, do sangue e das desilusões.

E os ventos, os ventos gritam, e berram, e gemem melancolicamente…
— Os inacabados!

Sem querer

Março 06, 2023

Carlos Palmito

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Foi sem querer que te quis,
que te abocanhei as pústulas, principiando na língua,
e ascendendo até às unhas dos pés, descoloridas pelo verniz
do orvalho de uma tarde, que vive tão somente na míngua.

Foi sem querer que as folhas tombaram dos prédios cinzentos
nos verões das cidades. As pontes transpiraram desejo
pelos suicidas desamparados, em aglomerações de novecentos.
Poderiam até ser mais, muitos mais, poderiam formar um cortejo.

E a stripper caiu do seu varão… sem querer,
deslocou dois dentes, partiu o coração, quebrou a máscara,
deixou o sorriso esquecido no chão… a apodrecer,
junto com a pintura que um barqueiro lhe rabiscara.

É, foi mesmo sem querer que te quis!

Foi sem querer que o cão se alimentou de pulgas esfaimadas,
que te arranquei os olhos para me contemplar na tua perdição,
que violentaram as predestinas cítricas de asas depiladas,
e alguém gritou violentamente o teu nome na selva de betão.

— Ahhhhhh loucura!

A lua derruiu dos céus, vive hoje amargurada e triste nos becos lamacentos.
Bebe copos de quando a quando com uma flor decapitada,
acariciam-se irascivelmente debaixo da cama, sobre lodo, silvando lamentos,
extasiando desejos assexuados perdidos no vendaval de uma trovoada.

Foi sem querer que o sol congelou o atlântico,
que o atlante se afogou nas tuas palavras,
insossas como a seiva de um cântico,
oriundo daquelas que de ti se alimentem, as larvas.

Foi realmente sem querer que te quis,
e não mais consegui desquerer!

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