Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Gritos mudos no silêncio das palavras!

Aqui toda a palavra grita em silêncio, sozinha na imensidão de todas as outras deixa-se ir... Adjetiva-me então

Testemunha silenciosa

Novembro 21, 2022

Carlos Palmito

316354521_604028541525670_8832292285232156342_n.pn 

Ficar parado, especado a contemplar o abismo,

sou uma pena que flutua, uma cor desbotada no universo,

uma arritmia cósmica, decadência civilizacional num mundo submerso.

Às vezes… gostava de ter uma pausa e ver a podridão inerente ao puritanismo.

 

As guerras que se foram, as que permaneceram, e as que se esqueceram,

o ódio disfarçado de ética e moral, cada um com o seu ego e superego,

pessoas enfiadas num canil, enforcadas em falsas doutrinas com um nó cego,

civilizações que se ergueram do pó dos deuses que se desvaneceram.

 

Habitáculos e recetáculos, monstros com cara de anjo,

Somos poeira na via láctea, estrelas mortas, diamante bruto,

Somos um mar forrado a cinza que não sente o peso de um minuto,

Somos simplesmente a melodia que sai da garganta de um banjo.

 

Significamos raiva e ódio, loucura e agressão, tristeza e solidão,

Significamos pradarias cobertas de sangue e os mares revoltos em choros,

Significamos o órfão, a viúva, a casa vazia, e os barcos sem ancoradouros…

Significamos a morte… e com ela, acima dela, a queda da constelação.

 

Sou uma pena que flutua e jamais tomba, a dança eternizada

no clique de uma memória, a metáfora banalizada,

uma estrela em queda livre, cadente e sem cadência, fria e em agonia,

o eixo que orbita na perpetuação de uma noite fragmentada,

consigo ser, inclusivamente, a própria melancolia.

Que é o homem, senão uma epidemia?

 

P.S. Imagem encontrada na net

Porto de abrigo

Novembro 18, 2022

Carlos Palmito

nightsky.jpg 

Amargo é o ser que se perdeu na encruzilhada,
abdicou da sua capacidade de sonhar, de criar, de conceber,
angustiante é o homem que desistiu antes do amanhecer,
a sua vida afundou-se, tornou-se uma anedota falhada.

Que é do mundo sem poetas e sonhadores,
sem os odores do amor ou as cores da poesia?
Somos tornados num espetáculo de magia,
Fogo de artificio no exponente súpero do seu esplendor.

Que seria de mim sem eles? Sem os sonhos?
Que triste finalidade estaria para mim designada?
Talvez, quiçá, fosse uma alma esquartejada, ensanguentada,
acorrentada na alvenaria secular de pesadelos medonhos.

Como poderia sobreviver dessa forma? Sem acesso à alma?
É lá que me encontro, que consigo ser livre, que me abrigo.
Quando sinto o medo a cercar o meu âmago, é na criação que encontro um amigo…
quando tudo desaba que nem cartas numa tempestade, é apenas a mente que me acalma.

Uma das características que me torna no que sou,
É a capacidade de criar, de sonhar, de continuar,
De ser um lobo a gritar guturalmente às deusas do luar.
Vem por aqui, dizem-me os sonhos, e eu simplesmente… vou!

 

Texto criado para os desafios da abelha, 52 semanas de 2022 | tema 46
Tenho estado mais ativo ultimamente, será bom, será mau?
Só as nuvens o saberão.

P.S. Imagem encontrada na net

Sonhos da Eternidade

Novembro 17, 2022

Carlos Palmito

deamer.jpeg

Evitar, uma palavra com tanto ou tão pouco significado, evitar o quê? Porquê? Por quem?

Quem julgas que és para instruíres tão volátil vocábulo no meu dicionário?

Que mal te fez o oceano?

O poema começa em evitar e termina na berma da estrada, gelado, sozinho, sem uma mão estendida ou um coração cheio, sem amor, nem ódio, nem seja qual for o sentimento, começa em evitar e termina na noite.

Que mal te fizeram as estrelas?

Se me dizem vamos, eu vou, não evito, e acreditem, percorro o alcatrão, a trilha, o areal, o musgo na floresta abandonada apenas para ver raiar o sol, e o que importa não é o sol, nem o raiar, é o percurso, és tu, sou eu, somos nós, vamos, dá-me a mão, não entendo o nosso relacionamento, apenas sei que não o devemos evitar.

Que mal te fizeram os lobos?

Existe uma biblioteca cheia de livros, doutrinas antigas e recalcamentos modernos, filosofias extintas e psicologias por germinar, existe um mundo plano e um outro redondo, somos seres dos mares, um molusco, um golfinho, uma sereia, somos sentimentos que jamais se deveriam evitar.

Que mal te fez o sol?

Hoje seremos um Indiano a dançar nos templos de Kali, de Shiva, de Vixnu, seremos o batimento cardíaco da própria selva, hoje seremos o mundo um do outro sem o evitar.

No agora, no momento, seremos os sonhos da eternidade.

Que mal te fez a noite? 

 

P.S. Imagem encontrada na net

Mensagens

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D